O trânsito de São Paulo vai virar estrela de filme, com Lázaro Ramos no papel principal de “Identidade”, novo longa de Tadeu Jungle. De acordo com o cineasta, o longa vai narrar uma noite na vida de um anestesista de um hospital público de São Paulo, que tenta voltar para casa e é impedido pelo trânsito, o que resulta numa série de acidentes e incidentes.
Mas não é só em São Paulo que atores baianos entram em cena. A Bahia vive um momento singular. Segundo Solange Lima, presidente da Associação Brasileira de Documentaristas e Curta-Metragistas, há hoje na Bahia cinco longas em fase de finalização e 15 pra rodar este ano. As produções começam a movimentar uma cadeia produtiva que mobiliza centenas de atores, produtores e técnicos. Será que desta vez vai?




15 longas???… Que eu saiba tem 3 pra serem rodados ainda… Gostaria muito de saber essa relação? Por que 15 longas é um numero extremamente alto pra nossa tão reduzida cena do cinema baiano. Como podemos ter acesso a essa lista?
15 para RODAR. Pois 05 já estão em fase de finalização. rsrsrs
Mas é claro que a mensagem não está completa e explicada, quando me ligaram eu estava no trânsito e pedi que me enviasse um e-mail, a pessoa disse que mesmo assim que colocaria uma chamada no blog… Deve ser uma manchete/chamada “jornalística”. Para dar ibope… já deu.
Estas informações eu adquiri na ANCINE Igor. E conversando com a maioria dos diretores eles me disseram que querem rodar esse ano, não sou eu que direi que eles não vão…
Mas concordo que é dificil de acreditar, pois eu só sei dos que eu co-produzindo e os que já produzi e que estão em fase de finalização.
Mas de qualquer forma segue a relação de DADOS DA ANCINE:
* FILMES DE PRODUTORA DA BAHIA:
ANIMAÇÃO:
Fala Menino os Desenhos Animados – Em fase de Produção
FICÇÃO:
Jardim das Folhas Sagradas – Em fase de Montagem – Studio Brasil
Estranhos – Em fase de Montagem – Araçá Azul
Brasilianas – EM fase de Captação de Recursos – Sany Filmes
O Homem que não Dormia – Em fase de Captação – Truq Vídeo
Pau Brasil – Em fase de Montagem – Studio Brasil/Truq Vídeo
Trampolim do Forte – Em pré-produção – Doc Doma
Revoada – Fase de FInalização – Rex Chindler
Velas ao Vento – Fase de Captação – Araçá Azul
DOCUMENTÁRIO:
Cuíca de Santo Amaro – Em Fase de Produção – Doc Doma
A Corrupção no Brasil – Em fase de Captação – VPC Cinemavideo
* FILMES DE PRODUTORAS DE FORA NA BAHIA MAS QUE SERÃO DODADOS NA BAHIA:
FICÇÃO:
Gavião, O Cangaceiro Que Perdeu A Cabeça – EM fase de Captação…
Capitães da Areia – Em fase de pré-produção
Besouro – EM fase de Pré-produção
As Orfãs da Rainha – EM fase de Captação
A Morte e a Morte de Quincas Berro D´agua – Fase de Captação
Velas ao Vento – Fase de Captação
DOCUMENTÁRIOS:
Raul, o Início, o Fim e o Meio – EM fase de Captação
Memórias do Candomblé – EM fase de Captação
Tropicália – 40 Anos – EM fase de Captação
O site da ANCINE É: http://www.ancine.gov.br
Você só não vai achar assim “BONITINHO” como estou te passando, terá que pesquisar como eu fiz. Mas lá você encontra até quando cada empresa já captou.
Abs,
Solange Lima
É inegavel que a atual situação do cinema brasileiro é muito, muito melhor do que 10 anos atrás. Mas Solange, cuidado ao pintar a situação de cor-de-rosa. O mar ainda não está pra peixe no nosso estado. É só verificar qual longa baiano (digo, feito por produtoras da Bahia) conseguiu ser financiado através de captação de recurso. Que eu saiba só o “Esses Moços” de José Araripe. Que foi feito num arranjo junto ao governo do estado. De resto, todos os outros conseguiram financiamento através de editais, seja do Minc, seja da Petrobrás, do Governo do Estado Bahia e BNDS. Sei que o nosso estado é pobre. Não temos grandes empresas privadas instaladas, ou até temos, mas suas sedes ficam localizadas no eixo Rio-São Paulo e é pra lá que eles financiam o cinema. Aqui na Bahia, ainda sobrevivemos basicamente de editais, estaduais ou federais.. mas editais.
Então Igo, não acho que estou “pintando” de “Cor de Rosa’… estou lhe passando DADOS. Os dados estão postados na ANCINE – Agencia Nacional do Cinema Brasileiro.
Quanto a filmes de Editais, o País, inclusive o eixo SP/RJ são os que tomam os Editas com mais de 100 inscritos, de cada estado… logo essa coisa da “Bahia”…
E mesmo os editais, conseqüentemente, atrela o prêmio às Leis de incentivos.
Seja através do Artigo 1o. A da Lei do Audiovisual, como faz a Petrobrás, seja através do Artigo 1o. ,também da Lei do Audiovisual, mas vinculado à CVM, que é o caso do BNDES ou através das Leis estaduais como é o caso da TELEMA, da OI, … enfim…
A política através das Leis de incentivo e de editais ainda vai durar, a principio até 2010, pois não só o governo federal, mas as classes, principalmente, clamaram para que as Leis continuassem de norte a sul do Pais.
E tudo isso por que ao longo dos 20 anos da Ditadura, não houve uma política direcionada para a descentralização dos editais e muito menos para a pulverização das Verbas para o audiovisual no Brasil. Logo o Pais nem pode falar em “Industria”…
Estamos experimentando essa descentralização a partir de 2003, quando entra o Governo Lula. É a partir de 2003 que os Editais do MINC, que não está atrelado às Leis de incentivo, começa a ter no seu corpo de jurados representantes de todas as regiões do Brasil, fazendo com que o olhar desta comissão passe a ser mais plural e consequentemente mais abrangente na contemplação dos roteiros.
A Bahia não acompanha esse momento desde 2003 por que o governo daqui na época não se interessava em inserir a Bahia neste cenário, mesmo assim houve os que furaram o bloqueio…
Outra coisa que as ABDs estão formatando é a formação da mão de obra profissionalizada, e ai não é só os técnico, mas todo o seguimento do audiovisual. E uma delas é exatamente a formatação de projetos, o enquadramento nas Leis e principalmente a Captação de Recursos.
No Brasil a única produtora que capta PARA ALGUNS DOS SEUS FILMES, ALGUNS, através da verba direta é a Conspiração Filmes, que acaba de abrir uma filial na Alemanha e a O2. Além do que estas duas Produtoras, Mais a Vídeo Filmes, e os Gulanes, que também estão com Series para TV trabalhando com o Art. 39, que não é verba direta e sim TAMBÉM verbas incentivadas pela Lei do Audiovisual.
Então para min a preocupação não são as “Lentes Cor de Rosas” mas sim as Lentes Cinzas ou Míopes que só enxerga o suposto “Marasmo” da Produção Baiana e Nacional.
A Bahia acaba de sair de quase 40 anos de DITADURA DO CORONELISMO, não vai ser em 04 anos que ela vai pontuar a sua produção reprimida, inibida por todos estes anos.
Embora não esteja muito tempo no estado por conta do Trabalho da ABD Nacional, e ai tenho que correr os 27 estados e não só o meu estado, consigo perceber as transformações que começa a acontecer no meu estado.
Por exemplo, essa iniciativa, que parece ser tímida, mas que para min é uma cunha na abertura para a profissionalização do audiovisual na Bahia, que foi o edital do Desenvolvimento de Roteiro onde o vencedor não só se exila para escrever a sua obra de arte, mas da também a sua contra partida social é FANTASTICO, é uma iniciativa para ser levada como exemplo para os demais estados brasileiros.
Essa semana a DIMAS teve um publico constante durante TODOS os dias com o Projeto de uma das contempladas que foi a Patrícia Freitas, onde um ciclo de debates permitiu que o Público que compareceu pudesse discutir o audiovisual nas suas várias vertentes, inclusive os Editas, as Leis de Incentivos e as verbas diretas.
Como também o convênio DIMAS/SENAC, onde o primeiro curso está sendo aplicado é o Curso de Produção de Elenco e o Elson Rosário também está fazendo um trabalho fantástico onde a cada semana ele leva um profissional para debater com a turma, não é um curso limitado a aprender o que é produtor de elenco mas sim conhecer também todo o mecanismo da produção do audiovisual, bem como as políticas desenvolvidas nesse setor.
Por estas “poucas” ações, acredito esta transformação está sendo plantada a cada nova ação que se implanta..
O Momento é de arregaçar as mangas e somar para que toda a latergia que fizeram questão de deixar transparecer aos artistas da cultura baiana seja passado e que os talentos venham a florescer com o que eles tem de direito e que essa população almeja.
Chega de nos limitar a ser os primos pobres, somos ricos de idéias de propostas e agora com projetos.
Para min Edgard Navarro vem mostrando isso para os que o chamava de “louco”, é louco sim, nas idéias, na loucura de pensar diferente, a sua loucura está passando por todos os editais e contaminando, fazendo que o mesmo seja tratado com o mesmo respeito que todos os seus colegas, exatamente por que agora o talento passa a ter hora e vez.
Fiz parte da comissão da Petrobrás de Longas e vi com orgulho o roteiro “O Homem que Não Dormia” que eu já conhecia há 20 ANOS, passar por unanimidade, por ser, belo, e capaz.
Por tudo isso acredito que é a hora e a vez de transformar, e se perdermos esse bonde de agora, não sei se amanhã termos outra chance de pegar outro. A História às vezes é cruel e nos dá poucas chances outra vez.
Acredito que a classe deva trabalhar em cima da Lei do Faz Cultura e propor uma forma mais dinâmica para o Fundo de Cultura, bem como indicar nomes para compor a comissão do mesmo com é feito no CINIC, onde todo o Brasil indica os nomes para compor o conselho que analisa os projetos culturais de todo o País. Mas isso depende de uma articulação da Classe não só do Governo.
Desculpa se não consigo tirar as lentes “Cor de Rosa”.
O meu consolo é que um trabalho de tantos anos começa a ter cara e corpo, e espero que crie raízes, e que caso o trem saia dos trilhos a classe esteja forte para garantir seus diretos adquiridos. Eu farei o possível para que isso aconteça.
Abs,
Solange Lima
Solange
Desculpe meus “olhos cinzas ou míopes”, é que não sou daqueles de soltar rojões de vitória sem a batalha estar ganha. Nem sei se teremos força para ganhá-la, mas sonho e trabalho para isso. Também não quero aqui ser um chato, nem patrulhador de opiniões alheias, mas sou sincero, crítico e político o suficiente para saber duas coisas básicas.
Primeiro: A forma, o marketismo como a notícia foi divulgada dos 15 longas, não ajuda nem amplia o debate sobre nossa necessidade de uma política audiovisual consistente no nosso Estado. Esta notícia sim, foi divulgada com “lentes cor-de-rosa e míope”. No entanto, graças a sua fantástica disposição ao debate, estamos aqui no blog da Secretaria de Cultura do Estado ampliando a notícia e propiciando um dialogo real onde, assim espero, outros internautas, cineastas, publico em geral, possam opinar.
Segundo: Antes que me pintem de uma cor partidária qualquer, quero dizer que apesar de nascer no seio de uma família política (não é à toa meu nome ser Igor) e adorar ser um homem político e de ter amigos no poder (parafraseando Edgard Navarro), tanto neste governo federal quanto neste estadual, coisa que nunca tive em governos anteriores, não me alinho a qualquer partido por entender que a maior política se faz com mentes e corações livres e a política partidária me parece estar mais próxima do futebol com suas torcidas fanáticas e apaixonadas. Não que a paixão não deva existir nos debates, inclusive num público como este deve, é necessária, é combustível, mas paixão não pode ser sinônima de sectarismo e preconceito. E é bom dizer isso neste blog, afinal estamos acreditando que a fase de que certas opiniões só podiam ser dadas “à meia-noite num terreno baldio”, como anunciava Nelson Rodrigues, tenha terminado. O que seria um enorme avanço na Bahia.
Voltando ao cinema. Sabemos que os avanços no campo cinematográfico no governo Lula são evidentes, maiores do que nos governos anteriores, sem dúvidas. Sabemos também que a complexidade da política cinematográfica é enorme. Existe um custo alto de produção, divulgação e exibição, e junto a isso um emaranhado de interesses nem sempre transparentes. No entanto, qualquer país do mundo que queira colocar-se enquanto potência, seja ela econômica ou cultura, o cinema é parte de uma política estratégica do Estado. Vide, inclusive países fundamentalistas como Irã, Índia e Estados Unidos, sem falar na França, Inglaterra, Argentina e Espanha. E é nesse aspecto que estamos aquém das expectativas. Essa falta de prioridade de relacionar o desenvolvimento cultural e econômico com um avanço na cinematografia acontece por uma série de empecilhos complexos, que vão desde os interesses multinacionais das Marjors e sua maior representante nacional, a Globo Filmes, a uma miopia ideológica de setores sectários do governo que observam com desdém estas manifestações culturais da superestrutura. Também quero deixar claro que as Marjors, a Globo Filmes e os antigos donos de cinema nacional tiverem uma série de derrotas neste governo. Como você bem colocou Solange, a descentralização das verbas é uma vitória, algo que não podemos voltar a perder, ter representantes da classe em conselhos federais é importantíssimo, e mais recentemente a abertura de novas salas de cinema no interior do país. Mas precisamos pontuar as derrotas graves como a da taxa sobre as propagandas nas Tvs para criar um fundo permanente no cinema nacional. Perdemos porque a Globo não quis abrir os reais valores de cada comercial, mantendo assim, parte de sua sonegação fiscal. Perdemos também a Ancinav por uma atuação muito forte das redes de televisão. E qual governo pode assumir um enfrentamento com as Tvs, especialmente com a Globo, com uma histórica relação obscura entre a mídia e o poder neste país?
O financiamento do cinema por muitos anos foi o nosso calcanhar de Aquiles. Com a criação das leis de incentivo, nos livramos de um antigo perigo, o dirigismo estatal sobre as obras, mas caímos em outro tipo de dirigismo tão ou mais nocivo quanto, o dirigismo marketeiro das grandes empresas. Talvez por isso o governo Lula tenha criado tantos editais no Minc, na Petrobrás, no BNDS. O cinema precisa de uma forma de financiamento, um fundo fixo e independente, administrado por um conselho amplo e que o dinheiro não dependa do interesse dos setores de marketing das grandes empresas, nem da boa vontade do governo em lançar editais. Os governos mudam. E dentro dessa perspectiva, lancei no fórum de cinema da Bahia uma idéia nesse sentido, lembra? Onde os impostos pagos pelas produtoras de publicidade sejam direcionados a um fundo de cinema. Outra idéia é que uma porcentagem do orçamento aprovado anualmente para a publicidade do governo seja revertida em um fundo audiovisual. Para que isso ocorra são necessárias duas coisas. Uma: ter dirigentes de classe focados em fazer política de cinema, e não política com o cinema. A outra é descobrir como fazer os governantes entenderem que cinema e desenvolvimento estão intimamente ligados, e como eles só tem a ganhar criando políticas para além da duração dos seus mandatos.
Por agora fico apenas na questão do financiamento. Não é que minha miopia não me deixe enxergar que temos outros problemas relativos à distribuição, exibição e até mesmo publicidade dos filmes feitos. Mas acho que no momento ficaria muito extenso e como ainda somos novos temos tempo para outros debates.
Abs
Igor
Se vocês cineastas baianos produzissem o tanto de filme quanto de bla, blá, blá, a gente ganhava finalmente um Oscar.
Mas quem há de negar que tá rolando mais cinema na Bahia nos últimos tempos? conheço um monte de gente envolvida em produção, filmagem não sei o mais quê. Pelo menos mais grana tá rolando sim. Se vai sair o que preste só Deus e o tempo dirá. Mesmo achando um flme lento, gostei de Eu me Lembro, do Edgard Navarro, o último filme baiano que vi. Portanto, vamos trabalhar mais e falar menos…
Gostaria de saber como posso fazer para apresentar uma proposta de um filme?
Oi Inglith
Se você for residente na Bahia pode apresentar o projeto de filme a partir do Fundo de Cultura ou pelo Faz Cultura, no caso de trabalhar com alguma empresa que tenha programa de isenção fiscal. Está para ser publicado o edital para a produção de curta e longa, via edital, mas repetindo, só para pessoas que residem há no mínimo três anos na Bahia.
Att.
Equipe aAscom