Pedras renovadas

By plugcultura

O arquiteto português Eduardo Souto Moura veio a Salvador participar do Arquimemória 3 e precisou apenas de um rápido passeio no Centro Histórico para dar seu diagnóstico sobre o Pelourinho: “…uma instalação, feita com objetos históricos portugueses”. Leia aqui a avaliação do arquiteto, em uma das respostas da entrevista concedida à repórter Mary Weinstein, no Jornal A Tarde:

MW – O que percebeu no Pelourinho?
EM – Não posso ser desagradável com uma cidade que me convida. Eu gostei muito de Salvador mas acho que o Pelourinho está um bocadinho embalsamado. É um cenário. Falta a vitalidade do Centro Histórico. Está aquilo preparado para o turismo mas tem algo falso. É uma cidade efêmera. Ou são turistas que vão ver e saem. Ou são pessoas que estão ali para trabalhar e também saem. Portanto, é uma instalação, como se diz em arte contemporânea, feita com objetos históricos portugueses. Evidente que o ambiente é bonito sob o ponto de vista formal, mas eu como arquiteto, entendo a arquitetura como uma arte social e não posso pensá-la sem as pessoas e sem a vida. Porque falta esse componente de renovação. A cidade não são pedras. Tem o tecido social. As pedras foram renovadas e a parte social penso que não.

Leia íntegra da entrevista aqui.

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Uma resposta para “Pedras renovadas”

  1. Arilda Cardoso Disse:

    Concordo em tudo que disse o professor Eduardo Souto. Foi um erro, devia ter sido levado em conta a importancia fundamental da presença de moradores. Mas, naquele momento, o casario estava se arruinando a passos largos. e hoje já não estaria de pé se nem isto que aí está. Tivesse sido feito, ainda que restaurado, de forma equivocada. Mas, eu acredito que, com a ajuda de uma vontade política, seja possível redirecionar o quadro, com um plano de introdução de uma população de moradores.
    Com relação ao Centro Histórico o pior ainda está por vir, com a construção da via portuária, que em termos de descaracterização da paisagem, não tem precedentes. Vem com seus 50,00 metros de largura, ao longo do seu percurso, destruindo tudo que encontra pela frente: favelas, residências, casas comerciais, ruas, travessas, relações de vizinhança, acessibilidade, patrimôio histórico etc.
    Chega rasgando a escarpa, rumo ao porto.
    Todo este estrago para trazer as centenas de containers que vão para navios cargueiros, que vão exigir a triplicação do cais para atender com eficiência à velocidade desta grande demanda.
    Se foi divulgado pela imprensa que está sendo cogitado, um plano de incrementação do turismo de navios de cruzeiros, que vão aportar neste mesmo cais, por que não conduzirmos estes containers para o porto de Aratu e lá construirmos as obras de ampliação naquele cais? As atividades de turismo e a paisagem urbana da Cidade Histórica de Salvador agradeceriam muito.

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