Adepto da tendência em arte de exibir a público montagens cênicas em processo de construção, o premiado ator, diretor e pesquisador Armindo Bião traz à cena o espetáculo musical de teatro de cordel A Gente Canta Padilha, a frente de numeroso elenco de intérpretes, no Teatro Martim Gonçalves (Escola de Teatro da UFBA, no Canela), de 26 de agosto a 5 de setembro, com apresentações de quinta-feira a domingo, sempre às 20h, oferecendo entrada franca e distribuição de senhas a partir das 19h na bilheteria.
Em sua primeira temporada, de caráter experimental, A Gente Canta Padilha pretende abrir-se à conversação com o público, após cada apresentação, como parte de seu método de montagem cênico-musical e de seu perfil de pesquisa ao mesmo tempo histórica, literária e artística. O espetáculo que deve aceitar convite para apresentar-se no Festival de Guaramiranga, no Ceará, trata da possível transformação de uma personagem histórica do séc. XIV espanhol, Doña María de Padilla, na entidade da umbanda brasileira contemporânea, Maria Padilha.
Resultado de um projeto de pesquisa apoiado pelo CNPQ e pela UFBA, A Gente Canta Padilha se inspira no teatro de cordel de João Augusto Azevedo, encenador líder do Teatro Vila Velha, de Salvador, nos anos 1960 e 1970. Do ponto de vista de técnicas teatrais, o espetáculo também se baseia nas proposições de Stanislavski e Brecht, particularmente da maneira em que foram tratadas pelo teatro de cordel baiano e pelo Teatro de Arena de São Paulo, também dos anos 1960 e 1970, quando foram encenados os célebres Arena Canta Zumbi, Arena Canta Bahia e Arena Canta Tiradentes. O recurso ao método do coringa, proposto por Augusto Boal, com diversos atores interpretando uma mesma personagem, por exemplo, é uma das características de A Gente Canta Padilha.







